A importância da diversidade cognitiva dentro das empresas

Pensar diferente é uma qualidade. Amplia as percepções, ajuda a desenvolver a empatia e exercita a capacidade argumentativa para que outros compartilhem e/ou discordem da sua opinião.

A compreensão dos benefícios dessa prática tem tudo a ver com a diversidade cognitiva, um termo que tem adquirido mais força entre os especialistas do mercado de trabalho. Gradualmente, tem avançado também nos corredores corporativos em decorrência do entendimento da sua importância.

Quer ver se a diversidade cognitiva tem valor para o seu negócio também e, especialmente, para a valorização do seu capital humano? Então, siga com a leitura deste post!

O que é a diversidade cognitiva?

Resumidamente: a diversidade cognitiva é a compreensão de que pessoas com estilos, personalidades e origens distintas podem agregar novas soluções e perspectivas para novos e velhos problemas.

Isso significa, portanto, que é importante conectar o perfil da sua cultura organizacional com perfis profissionais abrangentes, cuja flexibilidade intelectual, cultural e de vivência levante novos debates, associações e conclusões.

Por que inseri-la na empresa?

Ainda que o fit cultural de uma empresa importe — por exemplo: profissionais formados em uma instituição específica ou com o mesmo conjunto de habilidades e competências do colaborador recentemente desligado —, a atenção exclusiva a isso pode minimizar a diversidade cognitiva.

Afinal de contas, isso não abre portas para muitos pensamentos frescos, distintos e inovadores que podem ir em paralelo (ou na total contramão) das sugestões que vinham sendo sugeridas e abordadas.

Esse conflito é saudável para o desenvolvimento e amadurecimento de qualquer empresa. Os choques de ideias e experiências pode criar algo novo, diferente, e que pode pavimentar o caminho para novas estratégias.

Mas não é só por isso que a diversidade cognitiva deveria ter mais espaço na sua empresa. Quando falamos em inovação, criatividade e transformações, precisamos de contrapontos. No exemplo acima mencionado (de líderes que buscam um perfil, apenas, de candidatos), esse contraste dificilmente vai existir.

A padronização ocorre por meio de um viés de conforto, comodidade e estagnação. Já a diversidade de pensamento acomoda soluções até então impensadas contra ameaças e para inserir oportunidades ao dia a dia de trabalho.

Bom exercício para compreender o valor da diversidade cognitiva pode ser feito em seus futuros processos seletivos. Em vez de analisar apenas o currículo e aspectos de relacionamento em um encaixe perfeito com a cultura organizacional da empresa, crie estratégias para avaliar também:

  • pensamento analítico;
  • capacidade de síntese;
  • pensamento estratégico;
  • soluções distintas adotadas para a mesma quantidade de informação/dados compartilhados com os outros candidatos.

Isso tudo pode trazer à tona insights valiosos para escolher o profissional ideal em suas estratégias de recrutamento e seleção.

Existem outros benefícios em adotar a diversidade cognitiva?

Além da importância intrínseca à aplicação desse tipo de diversidade no ambiente de trabalho, outros elos encadeiam benefícios ao crescimento da empresa. Veja alguns deles, a seguir!

Engajamento dos funcionários

Recente estudo promovido pela Deloitte e a Billie Jean King Leadership Initiative (BJKLI) mostrou que, ao menos para as gerações novas, a diversidade é uma ferramenta de maior engajamento e colaboratividade entre os colegas de trabalho.

Isso porque, independentemente da idade, das crenças, do gênero e de qualquer outra característica do indivíduo, a diversidade se apresenta como algo em que todas as ideias e opiniões são bem-vindas, ouvidas e consideradas.

Sem falar que, como resultado disso, o engajamento é maior. Os profissionais se sentem valorizados — e não só pelos seus gestores, mas pela equipe — e isso aumenta a confiança e satisfação em produzir mais e melhor continuamente.

Solução de velhos e novos problemas

Lembra-se daquela definição de insanidade, que costumeiramente circula nas redes sociais? Diz assim:

“Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”

Dá para pegar um pouco dessa ideia para questionar os obstáculos que muitas empresas enfrentam, insistindo nas mesmas estratégias e pensamentos para resolver os pequenos e grandes desafios do cotidiano.

Acontece que a diversidade cognitiva tem o poder de iluminar esses objetos sob nova perspectiva. Uma simples ideia contrária à da maioria, mas que pode fazer com que todos se perguntem “por que não pensamos nisso antes?”.

E a resposta é basicamente a abertura para novos perfis, novas ideias e bagagens culturais e de vida que difiram desse perfil profissional engessado que algumas organizações insistem em postar nos seus anúncios de emprego e na métrica de contratações.

É inegável que um bom planejamento, nesse sentido, pode se converter em mais volume e diversidade de ideias. O que, por consequência, pode evoluir para novas soluções para velhos problemas — e também em insights para problemas ainda desconhecidos, até.

Estímulo ao pensamento crítico

Individualmente, podemos destacar a diversidade cognitiva como um exercício contínuo para o fortalecimento do pensamento crítico.

Porque, convenhamos, é muito mais cômodo (e temos o hábito de fazer isso) nos aproximarmos de quem pense de maneira similar a nós mesmos. E o resultado disso, embora tenha o seu grau de valor, pode engessar as ideias apenas nessa bolha.

Em contrapartida, pensamentos opostos, conflitantes e que não têm aparente conexão entre si exercitam o pensamento crítico. Uma discordância faz com que cada pessoa argumente e defenda o seu ponto de visão, alimentando debates mais ricos e que serpenteia por caminhos que mal ou sequer seriam explorados em um ambiente onde houvesse concordância em tudo.

Vale destacar, contudo, que a liderança — e também o setor de RH — são fundamentais nesse processo. É importante saber quais são os limites de uma discussão sadia e saber mediá-la de maneira que as opiniões sejam apresentadas, ouvidas e debatidas, e que agreguem à ideia central. 

Leia também: exemplos de diversidade nas empresas!

Quais são os desafios em implementar a diversidade cognitiva?

Que tal irmos a fundo no argumento que encerrou o parágrafo anterior? Afinal, esse pode ser um elemento que espante gestores e especialistas em RH ao considerar a diversidade cognitiva: as divergências.

Pois contrapontos podem estimular, direta ou indiretamente, tensão. E isso é natural, pois causa turbulência àquela ordem que mencionamos como tranquila e corrente, que é a concordância de ideias.

Não à toa, muitos profissionais conservam para si, as suas opiniões, por medo do confronto. Há quem considere essa decisão um exercício de diplomacia, inclusive, o que não é uma inteira verdade.

O que deve ser considerado é o valor das ideias diferentes. Nem todas vão ser aproveitadas, é claro, mas elas podem ampliar o leque de opções e soluções para um problema ou estratégia nova. 

Só que, como já foi dito, a liderança (mais presente no dia a dia do que o RH) tem esse papel de mediar os debates, sempre presando pelo respeito, harmonia e tolerância.

Como os líderes podem se envolver mais?

Líderes não são meros organizadores de tarefas, delegando-as para os colaboradores a fim de esperar pelo pagamento no final do mês. Eles são pessoas agregadoras, analíticas e com elevado potencial para desenvolver o melhor (e os pontos de atenção) de cada colaborador.

Veja também: as características de um líder atual.

Nesse contexto, a diversidade cognitiva pode ser trabalhada a partir de um perfil de liderança que consiga abrir e controlar um ambiente de abertura e diálogos enriquecedores. Sem falar na flexibilidade para ruir a hierarquia vertical e inflexível, deixando um pouco mais de abertura para os subordinados sugerirem, criticarem e terem mais responsabilidades.

Dessa maneira, a liderança cresce como um guia de orientação, desenvolvimento e controle para manter as discussões em um grau de respeito mútuo e com segurança psicológica para todos.

Complementarmente, os líderes — aqui com o apoio do RH — têm em mãos a oportunidade de construir a diversidade cognitiva de maneira gradual e que avance à medida que a sua equipe compreenda os valores desse exercício. Aí vão algumas dicas para implementá-la no dia a dia da empresa:

  • identifique perfis que podem agregar, por meio da inclusão, ao trabalho e mantenha essa abertura evidente nos processos seletivos da organização;
  • fortaleça também esse trabalho nas estratégias internas de desenvolvimento de lideranças;
  • estabeleça novas regras de comunicação nas reuniões e estimule os argumentos contrários às ideias sugeridas;
  • ofereça um revezamento na condução das reuniões;
  • crie formatos diferentes para as próprias reuniões, para as sugestões de ideias e também nas tomadas de decisões;
  • fortaleça o relacionamento entre os colaboradores. A harmonia e segurança de trabalharem juntos podem ser os elementos fundamentais para que a autoconfiança desperte e os debates sejam mais frequentes.

Por fim, lembre-se de construir um ambiente de trabalho em que a transparência, a honestidade e a imparcialidade sejam qualidades visíveis. Isso tudo contribui para uma rotina em que todos vão se sentir mais à vontade para serem eles mesmos.

Lembrando que, em um ambiente onde não existe desacordo, remetemos mais e mais à célebre frase de Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. Por isso, acomode a diversidade cognitiva e comece a sentir os efeitos de mudança que a inclusão pode trazer em todas as camadas do cotidiano na sua empresa.

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