#Não voltaremos!

“Desemprego afeta mais fortemente a população negra e jovem, uma vez que a taxa de desocupação é 21%. O valor é significativamente maior do que os 13% registrados na última pesquisa de desocupação do IBGE que considera toda a população. Ou seja, negros são mais afetados e suscetíveis ao desemprego neste período de pandemia”
Pesquisa do Instituto Data Zumbi para a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial

Estamos todos em uma mesma direção, conscientes que essa trajetória exige o empenho de cada um de nós, na aplicação de nossas melhores competências.

Estamos conscientes, pois sabemos da nossa interdependência e valorizamos os indivíduos e suas especificidades. Sabemos que se um elo dessa corrente for subutilizado, os demais não cumprirão o propósito de avançar apoiados em valores alinhados à dignidade de todos.

Em minha trajetória pessoal e profissional percebo que chegou o momento tão aguardado, por todos, que é o da conciliação pelo entendimento de algo muito simples, mas que por vezes foge da nossa convivência: reconhecer que fomos orientados por um conteúdo de ensino que privilegiou a informação de demérito de uns e supervalorização de outros; para os primeiros um passivo que se alarga a cada dia e aos segundos, patrimônio positivo ao qual são acrescidos privilégios, a cada dia.

Por que acreditamos que a hora da mudança é agora? Citaremos apenas três pilares fundamentais para a sua sustentação, entre outros.

1º O Poder decisório nas empresas

CEOs lançam campanha para que o mundo não volte ao normal

Sim. A campanha #NãoVolte, desenvolvida pela agência “AlmapBBDO” para a Rede Brasil do Pacto Global, na qual os CEOs pedem que o mundo, nunca mais, volte ao normal.

Nunca mais, abrange:
“Eliminar o uso de combustíveis fósseis, reduzir ao máximo o uso de plásticos, incrementar as iniciativas “verdes”e  combater as desigualdades sociais”

Esse grupo conta com mais de trinta CEOs, dezenas de executivos e representantes de organizações sociais, empenhados em fazer isso acontecer, sob a bandeira ESG.

Segundo Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global: “A crise da Covid é uma questão ambiental, que se transformou numa crise sanitária e agora está virando um problema humanitário e econômico…”

Quando reconhecemos que estamos enfrentando um problema humanitário, trazemos à tona a histórica desigualdade social, planejada e sustentada há séculos.

Teoria da Culpa – Revisitada

Se buscamos o entendimento, aqui não cabe o uso da chamada “comunicação violenta” que aponta o certo e o errado, que é ávida por identificar os culpados pelas questões sociais na atualidade, pois há uma estrutura desumanizante e , esta sim, deve ser denunciada.

O que estamos falando não é utopia. É algo concreto que nos está sendo apresentado e para o que deveremos ter a humildade de reconhecer e refletir, todos juntos.

A história nos mostra a construção da relação de dominação.

“Os povos antigos com a necessidade de sobrevivência dos nômades; a valorização da perfeição estética e os estigmas dos gregos; os pecados, mutilações e eliminação social da idade média; o pertencimento social meritocrático relacionado à capacidade produtiva do capitalismo…”. Renata Martorelli, Pontos Diversos.

Estes foram alguns dos elementos basilares na construção de modelos de valorização e desvalorização de pessoas. Esse foi o normal até então, e ao qual, juntos, # NÃO VOLTAREMOS.

Altas lideranças pelo enfrentamento ao racismo

Depoimentos de altas lideranças concedidos à “Iniciativa Empresarial Pela Igualdade Racial” ratificam # Não Voltaremos:

  • “Henrique Braun, Presidente da Coca-Cola para América Latina, destacou ser preciso abolir de vez a discriminação racial. Relatou que o denominado Comitê pela Igualdade Racial, implementado pela organização, tem sido fundamental para identificar “lacunas” no que diz respeito à inclusão de profissionais negros dentro das organizações”
  • “Luiz Verzegnassi, President & CEO e Global Chief Diversity Officer da GE Healthcare Services, comentou sobre a Cultura do Pertencimento, dizendo que todos precisam fazer parte das mudanças que estão ocorrendo no mundo quando o tema é o racismo estrutural e disse que a organização trabalha intensamente com campanhas de educação com o propósito de entender amplamente e eficientemente a questão do racismo ainda presente na sociedade e dentro das organizações”.

 2º. Sustentabilidade

Pacto Global, Ideia Sustentável e Plataforma Liderança com Valores

Essas forças desejam sensibilizar lideranças empresariais para um despertar sobre a emergência de negócios mais sustentáveis. No “Dia dos negócios sustentáveis”, 14 de outubro, lançarão os oito princípios, para reflexão e adesão das empresas, para uma real oportunidade de mudanças. Dentre esses princípios destaco:

“7º : O mundo precisa de empresas com mais líderes orientados por valores. A crise da Covid -19 ressaltou a importância de um novo tipo de liderança, orientada por valores e preparada para fazer a transição de um modelo convencional de negócios para outro mais ético, transparente, justo, íntegro e respeitoso em relação à diversidade, às pessoas e ao meio ambiente. Trata-se de um líder mais empático, cuidador, atento e ecocêntrico”.Pacto Global, Ideia Sustentável e Plataforma Liderança com Valores #Ricardo Voltolini.

 3º. Nossa Representatividade

A Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, coordenada pelo Dr. Raphael Vicente, também coordenador geral na Faculdade Zumbi dos Palmares, conta com a adesão de dezenas das maiores empresas nacionais e multinacionais, entre as quais Magalu, que estão efetivando os Dez Compromissos da Empresa para a Promoção da Igualdade Racial:

  1. Comprometer-se – presidência e executivos – com o respeito à promoção da igualdade racial.
  2. Promover igualdade de oportunidades e tratamento justo a todas as pessoas.
  3. Promover ambiente respeitoso, seguro e saudável para todas as pessoas.
  4.  Promover ambiente respeitoso, seguro e saudável para todas as pessoas.
  5. Estimular e apoiar a criação de grupos de afinidade sobre diversidade racial.
  6. Promover o respeito à diversidade racial na comunicação e marketing.
  7. Promover o respeito a todas as pessoas no planejamento de produtos, serviços e atendimento aos clientes.
  8. Promover ações de desenvolvimento profissional para se alcançar a igualdade racial no acesso a oportunidades de trabalho e renda.
  9. Promover o desenvolvimento econômico e social na cadeia de valor dos segmentos étnico-raciais em situação de vulnerabilidade e exclusão na cadeia de valor.
  10. Promover e apoiar ações em prol da igualdade racial no relacionamento com a comunidade.

Observem a preocupação com todas as pessoas, porque diversidade é interseccional.

Jorgete Lemos
Diretora de Diversidade da ABRH Brasil, Diretora Executiva da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços e Comendadora da Ordem Zumbi dos Palmares

Fonte: Artigo original publicado pela Editora Bianca Queiroz

São Paulo, 05/10/2010